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JAGUNÇO E VAQUEIRO EM CHÃO DAS CARABINAS: UM ESBOÇO ARQUITETÔNICO

RESUMO:
A construção de um romance depende da relação estabelecida entre seus componentes – material, forma e conteúdo – para constituir-se em uma verdadeira obra estética. Na obra Chão das Carabinas, é narrado um fato histórico na linguagem da prosa romanesca com realces de valores culturais do cenário onde se realiza a ação. Conforme Bakhtin (1997) “o autor é orientado pelo conteúdo (pela tensão ético-cognitiva do herói em sua vida) ao qual ele dá forma e acabamento por meio de um material determinado” em sua obra Moura Lima trabalha o material, os dados históricos, na forma da prosa romanesca sempre sob a orientação ético-cognitiva do conteúdo, dos valores culturais. Essa construção arquitetônica pode ser constatada pelo confronto de valores entre jagunços e vaqueiros realizado na obra.

PALAVRAS-CHAVE:
Vaqueiros e Jagunços, Valores Culturais, Arquitetônica do romance.

INTRODUÇÃO:
No romance  Chão das Carabinas ocorre um conflito de valores entre o vaqueiro e jagunço dentro da composição arquitetônica da obra. Esse confronto se realiza devido a essas personagens serem constituídas a partir de valores  axiológicos a obra, exteriores ao contexto literário do romance. Elas são geradas dentro contexto de valores culturais de determinada sociedade, sendo esses conceitos determinantes em suas composições, pois segundo Bakhtin (1997) “o contexto de valores em que se realiza e é pensada a obra literária não se reduz apenas ao contexto literário”. No romance de Moura Lima a  inserção de valores conflitantes dessas personagens de dá por fatores estruturais apresentados dentro da construção arquitetônica da obra estética.

MATERIAIS E MÉTODOS:
O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise  de fatores estruturais do gênero romance em seu processo de formação  pelos seus componentes indissolúveis como uma construção arquitetônica. O método utilizado, para  tanto, foi a análise do romance  Chão das Carabinas (2002) de Moura Lima com enfoque no aspecto composicional da obra na qual é apresentado um confronto de valores entre vaqueiro  e jagunço. Teve como fundamentação a teoria da arquitetônica, de Bakhtin (1997), para quem uma obra de arte  tem em sua composição uma indissolubilidade entre suas partes componentes, sendo somente assim possível sua existência como obra estética.

RESULTADOS E DISCUSSÕES:
Em Chão das Carabinas, Moura Lima trabalha com um material concreto, parte de dados reais do contexto historiográfico para elaborar uma narrativa que transforma esses dados, molda-os em uma nova forma, reveste-os em uma outra linguagem e os transporta para dentro do contexto literário da prosa romanesca. Com isso o material abordado é superado pelo fazer artístico, pois “a tarefa do artista, que é condicionada pelo desígnio artístico, consiste em superar um material” (BAKHTIN, 1997). Essa superação se evidencia no confronto de valores que se realiza na obra entre vaqueiro e jagunço. Para promover esse conflito o autor trabalha esculpindo o material de maneira detalhada, com uma linguagem regionalista, descritiva dos personagens e do ambiente no qual se realiza a ação. Isso promove uma caracterização e uma valorização da fauna e flora típicas da região assim como também dos personagens ao evidenciar peculiaridades de suas vidas e modos de conduta. Na narrativa de Chão das Carabinas são inseridas dentro do desenvolver da trama, partes da vida difícil de vaqueiros e jagunços do sertão tocantinense possibilitando assim efetuar a contraposição entre os parâmetros de vida dessas personagens.
O Vaqueiro apresenta-se como um indivíduo composto por valores morais, éticos e religiosos. É um ser rude, embrutecido pela realidade em que vive, de enfrentar as asperezas do sertão e de pegar boi bravo à unha, de coragem e valentia, porém é um ser honrado, de palavra e amante da justiça. Sua agilidade, suas habilidades e  suas armas são usadas para sua sobrevivência no sertão inóspito. Em contraposição encontra-se o Jagunço, um ser valente, idônito e feroz, perverso e traiçoeiro que atira pelas costas e mata inocentes. É desprovido de honra e de senso de justiça. Sua crueldade e deboche não são gerados pelo mundo em que ele se encontra, mas pelo saldo que lhe for pago, vivendo sob o mando dos coronéis em nome de uma obediência cega que o priva de vontade própria. Vive sem lealdade, justiça ou lei e suas armas estão sempre prontas para matar e saquear. Enquanto o vaqueiro é configurado por uma personalidade forte que em seu direito e em defesa da honra vai ate as últimas conseqüências. Característica marcante que é expressa até mesmo no nome, no caso, o vaqueiro Noratão, cujo nome de pronuncia forte nos remete a um ser robusto e altivo. Já o jagunço é dotado de uma personalidade distorcida, mascarada, oculta até mesmo os nomes, já que eles recebem apenas codinomes como Zeca-Tatu, Marimbondo. O romance Chão das Carabinas faz uma exaltação aos valores do vaqueiro em detrimento à vida de jagunço, pois o primeiro é dotado de lucidez, vê a realidade em que vive e as injustiças praticas sem tomar parte nelas. É um ser livre e vitorioso na vida sertaneja ao ser recompensado com prosperidade, fartura e felicidade, uma benção por  seus princípios e por sua conduta. Enquanto que o segundo permanece preso a seus instintos animalescos, sem reconhecimento ou benção material ou espiritual, sobrevivendo das sobras de  seus mandantes e tendo como única recompensa a morte.

CONCLUSÕES:
No romance Chão das Carabinas a abordagem realizada em seus aspectos estruturais demonstra que existe uma composição interdependente entre o material, a forma e o conteúdo da obra, pois a mesma não se restringe ao material sendo esse moldado de acordo não apenas com a forma, mas em unidade com o conteúdo. Partindo de um fato histórico, o material concreto a ser trabalhado, o autor trabalha esse material dentro da forma romanesca da prosa, moldando-o, dando a ele a forma estética desejada. Para tanto,  não se limita ao trabalho formalista de estruturar o material, inseri na construção da obra o contexto de valores e com isso proporcionando um determinado conteúdo a mesma o que o orienta em toda sua construção conforme Bakhtin(1997) “o autor é orientado pelo conteúdo (pela tensão ético-cognitiva do herói em sua vida) ao qual ele dá forma e acabamento por meio de um material determinado” . O confronto de valores evidenciados na forma narrativa demonstra a interdependência e a indissolubilidade dos elementos – material, forma e conteúdo – constituintes da construção arquitetônica da obra estética, além de contribuírem relevantemente para a divulgação e valorização da cultura regional, constituindo Chão das Carabinas em uma obra estética de forma arquitetônica.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAKHTIN, M.  A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. Contexto de François
Rabelais. Trad. de Yara Frateschi. 4.ed. São Paulo: Hucitec; Brasília: Edunb, 1999.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Trad. Maria Ermantina Galvão. 2.ed. São Paulo:
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BARROS, Otávio. Breve história do Tocantins e de sua gente – uma luta secular. Araguaína -To:
Solo Editores, 1997.
BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada. São Paulo: Perspectiva, 1972.
BRUNEL, P. MADELÉNAT, D. GLIKSOHN, J.-M. COUTY, D. A Crítica Literária. São Paulo.
Ed. Martins Fontes, 1988.
COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria. Trad. de Cleonice Paes Barreto e Consuelo
Fortes Santiago. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16 ed. Rio de Janeiro: Jorge
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LIMA, Moura. Chão das Carabinas. Gurupi. Gráfica e Editora Cometa, 2002.
MOISÉS, Massaud. A análise literária. 11.ed. São Paulo: Cultrix, 1998.
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__________. A Criação Literária: Prosa I. 17.ed. São Paulo. Ed. Cultrix, 2000.
OLIVAL, Moema de Castro e Silva.  Moura Lima: a voz pontual da alma tocantinense.
Gurupi: Gráfica e Editora Cometa, 2003.
REUTER, Yves. O texto, a ficção e a narração.Trad. Mario Pontes. Rio de Janeiro:Difel, 2002.
SILVA, Vitor Manuel de Aguiar e.  Teoria da Literatura. 8.ed. Coimbra: Almedina, 1967.
SANTIAGO, Silviano. O cosmopolitismo do pobre. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2004.

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TROHVOZES - Novos contadores de histórias despertam suas vozes

O grupo TROHVOZES é originário e residente em Pium - Estado do Tocantins - e é composto por dez integrantes, sendo eles quatro garotas e seis garotos adolescentes, com exceção de uma das garotinhas que anota menos de dez aninhos. O TroHVozes é ligado ao Ponto de Cultura Pesqueiro de Piaus - de volta as raizes e mantido pela a Associação Beneficente Nossa Senhora do Carmo - Abnsc, e despertou suas vozes durante o curso Contando histórias - transformando mundos, um curso de formação em contadores de histórias ministrado pelo pesquisador em cultura popular Flávio Alves da Silva, e pela contadora de história Télia Batista Cavalcante, realizado pela Abnsc com apoio da Nagô Editora e Livraria.
O nome forte e emblemático TROHVOZES é uma aglutinação de Trovadores de Historias de volta as raízes e é ao mesmo tempo uma referência, uma homenagem e um compromisso. Uma referência a linha de ação do grupo que trabalha com os contos populares e autorais buscando abrir portais em os diversos mundos contidos nos livros e no imaginário popular e transportar seus ouvintes/espectadores a uma apaixonante excursão por seus fantásticos lugares e aventuras. Uma homenagem aos antigos andarilhos contadores de historias que viajavam de um lugar para outro contando em suas trovas, canções e narrativas, as inúmeras historias desses lugares, de seus povos, seus mitos e suas lendas. E também é um compromisso desses jovens contadores de historias com o resgate, a preservação e a propagação do patrimônio cultural e histórico da cidade de Pium, ao erguerem suas vozes para anunciar a todos os reinos e mundos a existência desse inestimável tesouro imaterial que pulsa, vive e anima as fabulosas historias vividas física ou imaginariamente pelo povo piunense.

Os contadores de historias que compõem o TroHVozes são:
Kassio Henrique; Jenniffer; Daniela Morais; Gabriel Santarem; Thallis; Flavio Costa; Nivínny Cristine; Anderson; Lais Leite; e Gustavo Valadão.

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A PRODUÇÃO LITERÁRIA NO TOCANTINS

Analisar a produção literária no Tocantins nos leva consequentemente a questão da quantidade e da qualidade. Quanto a quantidade, dizer que o Tocantins possui uma produção literária pequena é um pouco arriscado. Se nos referimos ao números de autores, podemos considerar que ainda temos um número pequeno. A maioria desses autores são poetas, alguns contista e pouquíssimos romancistas. Quanto a produção técnica, são ainda mais raros os que produzem ensaios ou exercem a crítica literária. Agora se pensarmos produção enquanto quantidade de material preparado por seus autores, teremos um quantitativo bem maior do que o que vemos circulando. Temos autores que mais de um livro pronto para publicar. No entanto, temos uma publicação pequena. A pequena presença de editoras, e a maioria não especializadas em produção de livros no Estado, o alto custo cobrado pelas gráficas no Estado ou pela publicação em outros Estados, a falta de incentivos públicos e privados permanentes para a publicação, são alguns pontos dificultantes para a produção literária tocantinense. No entanto, devemos levar em consideração que o Estado do Tocantins é extremamente jovem e não podemos querer que já tivéssemos um grandioso número de publicações. Ao se considerar esse ponto podemos evitar o equívoco de ficarmos comparando a produção tocantinense com a de outros Estados, já com uma história de vida bem mais longa que a nossa. Temos uma pequena quantidade, mas que aumenta em um bom ritmo. Quanto a questão da qualidade, claro que não se aplica a todas as obras, mas a produção de modo geral também ainda apresenta muitos problemas. Baixa ou ausência de literariedade em obras publicadas como literatura, baixa qualidade estética das obras - tanto ao conteúdo quanto ao produto livro -, classificação inadequada das obras nos gêneros literários, a não transcendência temática, a reprodução mimética do mundo, dentre outros, são fatores qualitativos que precisam serem desenvolvidos na literatura produzida no Tocantins. Alguns fatores como, por exemplo, a pequena existência de atividades formadoras como cursos, oficinas, debates, seminários, para os autores já existentes e para formação de novos autores; a ausência - e até mesmo resistência - de se trabalhar com a literatura tocantinense nas escolas, a resistência das livrarias em comercializar os livros tocantinenses, colaboram para esse não desenvolvimento. A existência de organizações com as acadêmias de letras - ATL, APL, AGL, ACALANTO, dentre outras - são importantes e devem contribuir muito com a produção literária, por ser a essência desse tipo de organização a busca pela união da classe, pela produção e pela difusão da literatura. A presença no Tocantins de empresas que desenvolvem ações culturais de formação e leitura literária - como o SESC e Fundação Fé e Alegria - que proporcionam incentivos financeiros - como a REDE/CELTINS - que proporcionam parcerias e serviços especializados na área de publicação e assessoria literária na produção - como a NAGÔ EDITORA - e que promovem atividades de discussão do fazer literário como debates e seminários como as faculdades - UFT e UNITINS - também são de extrema importância para o desenvolvimento da produção e da própria literatura tocantinense e um exemplo a ser seguido por outras instituições, sejam elas públicas ou privadas.

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