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TROHVOZES - Novos contadores de histórias despertam suas vozes

O grupo TROHVOZES é originário e residente em Pium - Estado do Tocantins - e é composto por dez integrantes, sendo eles quatro garotas e seis garotos adolescentes, com exceção de uma das garotinhas que anota menos de dez aninhos. O TroHVozes é ligado ao Ponto de Cultura Pesqueiro de Piaus - de volta as raizes e mantido pela a Associação Beneficente Nossa Senhora do Carmo - Abnsc, e despertou suas vozes durante o curso Contando histórias - transformando mundos, um curso de formação em contadores de histórias ministrado pelo pesquisador em cultura popular Flávio Alves da Silva, e pela contadora de história Télia Batista Cavalcante, realizado pela Abnsc com apoio da Nagô Editora e Livraria.
O nome forte e emblemático TROHVOZES é uma aglutinação de Trovadores de Historias de volta as raízes e é ao mesmo tempo uma referência, uma homenagem e um compromisso. Uma referência a linha de ação do grupo que trabalha com os contos populares e autorais buscando abrir portais em os diversos mundos contidos nos livros e no imaginário popular e transportar seus ouvintes/espectadores a uma apaixonante excursão por seus fantásticos lugares e aventuras. Uma homenagem aos antigos andarilhos contadores de historias que viajavam de um lugar para outro contando em suas trovas, canções e narrativas, as inúmeras historias desses lugares, de seus povos, seus mitos e suas lendas. E também é um compromisso desses jovens contadores de historias com o resgate, a preservação e a propagação do patrimônio cultural e histórico da cidade de Pium, ao erguerem suas vozes para anunciar a todos os reinos e mundos a existência desse inestimável tesouro imaterial que pulsa, vive e anima as fabulosas historias vividas física ou imaginariamente pelo povo piunense.

Os contadores de historias que compõem o TroHVozes são:
Kassio Henrique; Jenniffer; Daniela Morais; Gabriel Santarem; Thallis; Flavio Costa; Nivínny Cristine; Anderson; Lais Leite; e Gustavo Valadão.

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OFICINA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS EM PIUM

A Associação Beneficiente Nossa Senhora do Carmo, da cidade de Pium-TO, promoveu nesse final de semana (22 e 23/05/2010) uma oficina de contação de histórias para os jovens da comunidade. A oficina contou com os palestrantes e contadores de histórias Flávio Alves da Silva e Télia Batista Cavalcante como facilitadores do trabalho. Foram trabalhadas técnicas de contação de historias como a narração, a personificação de personagens, postura e entonação vocal, utilização do corpo como forma de expressividade da historia contada. Além disso foi desenvolvida a utilização de recursos auxiliares na contação, sendo realizada a confecção de fantoches pelos participantes.
Com esse trabalho foi proporcionado a formação de contadores e multiplicares da arte de contar história, o inicio de uma sensibilização da comunidade da Associação Nossa Senhora do Carmo para a importância da literatura e da contação de histórias e a inserção da contação de histórias como a força motriz do Ponto de Cultura Pesqueiro de Piaus - de volta as raizes.
A oficina foi totalmente de vivências, onde a teoria e a técnica da contação de histórias foram debatidas na prática do ato de contar. Com momentos individuais e momentos divididos em grupos, onde cada pessoa e equipe trabalhou aléms dos elementos teoricos/técnicos apresentados a experenciação de dar asas a sua imaginação ao criar historias e maneiras difentes de narração contos tradicionais e autorais de forma bem prática nas atividades de contação de histórias.
Sendo os debates e dinâmicas vivenciais de grupo e individuais baseados na problematização de situações cotidianas que evidenciem a arte de contar histórias. As informações pessoais, técnicas de socialização de experiências, de preparação de histórias, a confecção de instrumentos auxiliares e a teorização e aplicação prática do contar e encantar permite investigar a contação de história como um instrumento de ensino de leitura e produção de texto oral e escrito.


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A PRODUÇÃO LITERÁRIA NO TOCANTINS

Analisar a produção literária no Tocantins nos leva consequentemente a questão da quantidade e da qualidade. Quanto a quantidade, dizer que o Tocantins possui uma produção literária pequena é um pouco arriscado. Se nos referimos ao números de autores, podemos considerar que ainda temos um número pequeno. A maioria desses autores são poetas, alguns contista e pouquíssimos romancistas. Quanto a produção técnica, são ainda mais raros os que produzem ensaios ou exercem a crítica literária. Agora se pensarmos produção enquanto quantidade de material preparado por seus autores, teremos um quantitativo bem maior do que o que vemos circulando. Temos autores que mais de um livro pronto para publicar. No entanto, temos uma publicação pequena. A pequena presença de editoras, e a maioria não especializadas em produção de livros no Estado, o alto custo cobrado pelas gráficas no Estado ou pela publicação em outros Estados, a falta de incentivos públicos e privados permanentes para a publicação, são alguns pontos dificultantes para a produção literária tocantinense. No entanto, devemos levar em consideração que o Estado do Tocantins é extremamente jovem e não podemos querer que já tivéssemos um grandioso número de publicações. Ao se considerar esse ponto podemos evitar o equívoco de ficarmos comparando a produção tocantinense com a de outros Estados, já com uma história de vida bem mais longa que a nossa. Temos uma pequena quantidade, mas que aumenta em um bom ritmo. Quanto a questão da qualidade, claro que não se aplica a todas as obras, mas a produção de modo geral também ainda apresenta muitos problemas. Baixa ou ausência de literariedade em obras publicadas como literatura, baixa qualidade estética das obras - tanto ao conteúdo quanto ao produto livro -, classificação inadequada das obras nos gêneros literários, a não transcendência temática, a reprodução mimética do mundo, dentre outros, são fatores qualitativos que precisam serem desenvolvidos na literatura produzida no Tocantins. Alguns fatores como, por exemplo, a pequena existência de atividades formadoras como cursos, oficinas, debates, seminários, para os autores já existentes e para formação de novos autores; a ausência - e até mesmo resistência - de se trabalhar com a literatura tocantinense nas escolas, a resistência das livrarias em comercializar os livros tocantinenses, colaboram para esse não desenvolvimento. A existência de organizações com as acadêmias de letras - ATL, APL, AGL, ACALANTO, dentre outras - são importantes e devem contribuir muito com a produção literária, por ser a essência desse tipo de organização a busca pela união da classe, pela produção e pela difusão da literatura. A presença no Tocantins de empresas que desenvolvem ações culturais de formação e leitura literária - como o SESC e Fundação Fé e Alegria - que proporcionam incentivos financeiros - como a REDE/CELTINS - que proporcionam parcerias e serviços especializados na área de publicação e assessoria literária na produção - como a NAGÔ EDITORA - e que promovem atividades de discussão do fazer literário como debates e seminários como as faculdades - UFT e UNITINS - também são de extrema importância para o desenvolvimento da produção e da própria literatura tocantinense e um exemplo a ser seguido por outras instituições, sejam elas públicas ou privadas.

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MUGAMBI – UM MARCO NA HQ TOCANTINENSE

Posted by FLAVIO ALVES DA SILVA on 17:49 in , , , , , , , , , ,
A produção de literatura em quadrinhos no Tocantins é ainda muito pequena. Excetuando alguns trabalhos de produção e circulação entre pequenos grupos de amigos. Como referência, podemos citar apenas a Liga do Cerrado. E agora a revista Mugambi surge com qualidade estética, ótima história e um considerável projeto gráfico. Sem dúvida é um marco representativo de qualidade e profissionalismo. A opção pela publicação em preto e branco também se mostra como um fator marcante como seleção de um padrão de qualidade, esse tipo de produção exige mais ainda do quadrinista, pois ele abre mão de alguns recursos tecnológicos e da força das cores, para nos mostrar o poder que a luz e a sombra podem exercer nos desenhos e na composição da história. Uma força tão grande que causa e possibilita inúmeras interferências em nossas leituras e também na construção de novas leituras. A presença do nosso ambiente de vivência - Palmas e alguns lugares do Estado do Tocantins - agrega o valor do regionalismo e, no entanto, não o limita a uma região, pois as referências e os acontecimentos da história que ocorrem em outros lugares do mundo a faz globalizada. E a universalidade lhe é conferida pelas duas questões debatidas na obra: o preconceito racial e a preservação da natureza. O racismo ao negro é o ponto central da trama e provoca, de forma radical, um debate sobre essa segregação maquiada que existe em nossa sociedade ao colocar a pigmentação da pele de todos no mundo para a cor negra como a solução para conter a mortandade mundial causada por um vírus altamente contagioso. No entanto, outros tipos de preconceitos étnicos são trazidos para a reflexão, como a discriminação aos povos árabes e aos indígenas. A historia e o debate étnico também se destacam com a personificação do protagonista ser um negro. A valorização das origens do brasileiro também se faz presente na narrativa. Se em Macunaíma temos um herói que é tido como uma personificação da identidade brasileira com uma grande inclinação as origens indígenas, em Mugambi temos um herói que valoriza e assume suas origens africanas, mas sem desprezar a parte indígena. Se no inicio a raça negra apresenta a cura para o vírus, na atualidade da narrativa a raça indígena traz em seu DNA, em seus costumes e tradições a fórmula para solucionar o problema. Mugambi traz um resignificado da personificação da identidade brasileira que com muita coragem e luta a cada dia vem construindo uma nova mentalidade e que assumi cada vez mais suas raízes africanas e sua miscigenação. Com tudo isso a publicação de Mugambi representa mais que o surgimento de mais uma revista em quadrinhos no Tocantins, é a demonstração e afirmação ao público que o Tocantins possui e é capaz de produzir literatura de qualidade.

(Texto publicado no Jornal do Tocantins de 07 de maio de 2010. Seção Opinião, pág. 4)

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